BR 101 A VIAGEM CONINUA

dezembro 28th, 2009 by betoroberto

DOIS RAPAZES SÃO SURPREENDIDOS NO MEIO DA ESTRADA OMOTOR DE SEU CARRO BATE E AI,………….

BR 101 BAHIA A VIAJEM CONTINUA

dezembro 21st, 2009 by betoroberto

—Você esta vindo de onde?

—Estou vindo de São Paulo e estou indo para Recife.

—E o que aconteceu com o carro?

—Bateu o motor, ele ainda anda, mas esta fazendo barulho,mas não tem condições de continuar o que pode acontecer agora é o motor travar.

—Faltou óleo?

—Deve ter sido.

—Essas coisas acontecem, mas não se preocupe que amanhã passa.

—Espero estou fazendo a maior fé de que amanhã eu sairei daqui.

Ele pensou o que esse cara quis dizer com amanhã passa? Amanhã é lógico que passará, pois todo dia passa. Ou ele quis dizer que amanhã passará alguém para nos levar ou o simplesmente que o dia passa. E assim passou a noite, estava estacionado na frente do restaurante, à direita lá no final eram os banheiros, tinha uma cozinha com várias pias para quem quiser lavarem as roupas e mesas de cimento sob um telhado, era um espaço grande e uma lavanderia com quatro tanques e área para estender roupa depois muitas árvores, na extensão da parede entre a porta do restaurante e os banheiros havia um banco de cimento que ficavam elevados a um degrau de um metro de altura onde os carros ficavam parados de frente. Ele estavam com o carro parado ali, o carro do vendedor ao lado e um caminhão de cebola do velho que lá para as tantas uma garota foi visita-lo para dormir dentro de seu caminhão, essa garota mais cedo estava num dos caminhões das pedras mais a direita haviam duas carretas uma era um enorme baú com uma porta lateral aberta e onde haviam dentro do baú varias redes armadas, era preciso ficar atento nesse caminhão pois quem sabe o destino dele, por ele estar vazio poderia ser uma boa carona. Haviam mais quatro caminhões menores estacionados no sentido da pista. Do posto ate a pista haviam uns cem metros e nesse longo haviam vários grupos de três quatro e cinco caminhões num total de mais de trinta veículos uns baianos que só iam ate Feira e a carga deles era alta, um outro grupo era do Rio Grande do Sul, do outro lado tinha a turma dos puxadores de pedra assim como eram chamados. Lá pelas tantas o rapaz estava dormindo no banco dianteiro do carro e os caminhoneiros baianos e outros estavam reunidos no banco em frente o carro, o velho que vendia cebola estava e o caminhão dele do lado do carro, tinha hora que o vento batia e o cheiro da cebola exalava forte no ar.

— Foi esse o carro?

—Foi, ouvi o barulho e parei.

—Ligue o motor, é foi a biela, e foi a segunda, quer apostar, você já viu se a bomba  esta jogando óleo?

—Não, como é que se ver.

—Tu abres a tampa do óleo e veja se o óleo esta pulando.

O outro diz.

—Não dá pra ver, isso não é igual a motor de caminhão, ai dentro tem uma capa de plástico que impede o óleo de subir, tem que abrir a tampa do comando de válvulas e ver se está subindo óleo.

—Amanhã eu verei isso.

— Se desse agente te levava, é que agente está carregado, mas tem um amigo que pode levar vos ate Feira de Santana, disse o baiano.

—Não tem problema, aqui passam muitos caminhões, amanhã ou quem sabe depois, passará um que nos levará.

—Conte uma piada ai.

—Conte você que eu continuo.

Começaram a contar piadas e alguns se despediam e iam dormir ate que só ficaram o vendedor e o seu João.

—Esse lugar é bom podemos dormir tranqüilo que ninguém irá mexer com vocês, eu vou me deitar qualquer coisa podem me chamar, boa noite.

João ficou algum tempo sentado no banco, depois foi ate a lanchonete pediu um copo de água, a qual nunca tinha bebido tão pura e comeu  um pastelão, bebeu tomou um cafezinho e fico na frente da lanchonete, haviam uns vendedores de CD com um som portátil, ficavam ali com o som  ligado no último volume para alegrar o ambiente. Pensou João acho que esses caras são os que fazem a segurança do posto na madrugada. Não havendo o que fazer foi para o carro e deitou-se nos bancos da frente, pois atrás estava o filho deitado com suas enormes pernas dobradas, pois eram os dois muito grandes, começaram a ter problemas de câimbra nas pernas, resolveu então dormir com a porta do lado direito aberta e colocar as pernas para fora, lá pelas tantas a música quebravam o silêncio, isso impedia de dormirem bem ainda mais com a porta do carro aberta só dava mesmo para cochilar, chega uma mulher e diz.

—Vocês estão acordados?

—Sim, o que você quer?

—Olhe eu estou aqui.

—Estou vendo e daí.

—Esses homens só pensam em dormir.

E ela retirou-se resmungando.

—Quem era? Perguntou o filho.

—Uma mulher a fim de negocio.

—Era bonita?

—Maior pesadelo quando abri os olhos estava aquela coisa gorda baixa e larga  na porta do carro. Um sorriso desdentado olhando para mim.

Dormiram. No dia seguinte acordaram com o ronco dos motores dos caminhões, estava claro, mas o sol ainda não havia surgido, havia muitos caminhões no posto alguns ainda não tinham sido visitados por eles, então os dois se dividiram um foi para o lado direito e o outro para o lado esquerdo do posto, e de vez em quando surgia um caminhão na pista vindo do sul, João corria para estrada fazendo sinais com os braços, mas não tinha jeito nenhum caminhão parava, depois de algum tempo na tentativa correndo de um lado para o outro o sol já havia raiado e começava a arder, um caminhão amarelo de cara preta e carroceria aparentemente vazia foi avistado ao longe João correu para a pista fazendo sinais para que ele pare, e ele entrou no posto e parou. João quando chegou perto, os dois ocupantes do caminhão já tinha descido, pararam o caminhão do lado direito do posto e iam caminhando em direção a lanchonete quando João disse:

—Bom dia meu senhor, sabe o que é, é que meu carro quebrou e eu venho pedir a vocês se dava para colocar o carro em cima do caminhão e nos levar daqui.

Eles não derão muita atenção ao pai, então o pai resolveu mudar de tática, fazendo algo mais dramático, por que para ele aquele era o caminhão certo o enviado por forças sobres naturais que os ia levar daquele lugar, mas pra isso precisava que fosse feito uma boa apresentação  que causasse impacto e fosse convincente, por que de certa forma o pai pela pouca experiência que tinha com caminhoneiro, é que eram pessoas boas e um tanto emotivas, talvez ingênuas por viverem em um mundo de um constante perigo invisível, e eram também um tanto desconfiados então ele o pai pensou em apelar para uma colocação  de imploração,

—Por favor, veja minha situação eu e meu filho estamos viajando de São Paulo para Recife e o carro bateu o motor, já fazem dois dias que dormimos neste lugar e não temos esperança nem sabemos quando sairemos daqui. Por favor, eu imploro levem-nos daqui eu vos dareis todo dinheiro que tenho a vocês, eu tenho seiscentos reais dou quinhentos e o resto será para  nós comermos ate chegarmos lá, o que acham?

Os dois permaneceram calados sem dizerem uma palavra, apenas se olhavam. E perguntarão.

—Onde está o carro?

—Está ali.

E foram em direção a lanchonete.O pai os seguindo insistia em puxar conversa com os dois .

—Vocês vão para onde?

—Recife.

—Recife,é justamente para onde irei, me ajudem por favor.

Eles entraram na lanchonete e o pai foi em direção ao carro chamou o filho e disse:

—Eu falei com os caras daquele caminhão e eles não disserão nem que sim nem que não, vamos lá talvez ele nos vendo verão que somos família e eles melhorem seu conceito quanto a nós e quem sabe eles nos levem.

—Vamos lá, não podemos deixar esses passarem.

Entraram na lanchonete, o pai eufórico com o acontecimento disse:

—Esse e meu filho.

Um rapaz alto magro de espinhas no rosto marcas da adolescência, os caras olharam. Eles eram um maior e novo de aparência jovem talvez uns trinta e cinco anos e o outro era magro e sêco aparentava uns quarenta e cinco anos esse pouco falava o mas novo disse.

—E o seguinte nós temos que pegar uma mudança em Itabuna e levar-la para Recife, é de uma amiga do meu pai, mas eu estou vendo a situação de vocês eu vou levar vocês tem como subir o carro no caminhão.

—Sim lógico ali tem uma rampa, rapaz não sei como te agradecer vocês estão fazendo a maior boa ação para o próximo, que eu poderia receber estou extremamente agradecido.

O pai retirou-se, o mais novo do caminhão foi ao orelhão conversa, na conversa ele parece que falava com o pai dizendo que pegaria um carro que os caras estavam com problemas e que a mudança ficará para semana que vem, após o telefonema o mais novo disse:

—Então vamos, como e que faz para colocar o carro em cima do caminhão?

—Ali no muro tem uma rampa.

—Vamos lá ver?

—É parecer que dessa vez nós sairemos deste lugar.

Colocaram o carro sobre o caminhão amarraram o fecharam à porteira da rampa, foram se despedir do pessoal do posto, do dono do restaurante, tomaram um café e foram, o dono do caminhão e o motorista na cabine do caminhão e o pai e o filho dentro do carro sobre a carroceria do caminhão. Logo que deixaram o posto com três quilômetros de estrada começava uma decida lá em baixo uma ponte sobre um rio e uma subida, dos dois lados da pista era somente o imenso verde da mata atlântica, por entre as montanhas poucos distantes e o infinito túnel verde, que passávamos, sobre o asfalto brilhante da estrada, a qual existia o acostamento, mas mal se tinha visão dele, pois o mato já o tinha tomado, aquele lugar longínquo do mundo civilizado havendo apenas do mundo civilizado o asfalto preto colocado no meio de uma mata tão intensa, andamos mais ou menos uma hora sem passar nem um posto, nada só mato logo que passou um posto, pararam tomaram água cafezinho e continuaram, uns dois quilômetros depois o caminhão parou na estrada o pai disse:

—O que dever ter acontecido?

—Talvez irão nos matar e ficar com o carro.

—Não, nós somos dois contra dois, alem desse caminhão ser lento um percurso que faríamos em meia hora, esse caminha levou uma hora e agora parou dever ter quebrado, vou descer para ver o que está acontecendo.

—Acabou o óleo.

Disse o motorista, naquele instante vinha passando um carro no sentido contrário, o dono do caminhão fez sinal com o tonel na mão o carro parou a cinqüenta metros a diante, o dono do caminhão disse:

—Ei magro arruma cinqüenta reais ai para comprar óleo.

O pai deu os cinqüenta reais ao motorista, ele pegou o tonel e foi em direção ao carro que estavam os esperando.

—Mas nós acabamos de passar pelo posto. Disse o pai.

—Eu achava que o óleo daria para chegar ao outro posto.

—O marcador não está funcionando direito?

—Não, está com o cabo quebrado.

—E como que você sabe quando o óleo esta acabando?

—Eu calculo mais ou menos.

—Nossa sorte foi ter passado aquele carro e ele ter parado.

O dono do caminhão abre o tanque de combustível e coloca um pedaço de pau       dentro do tanque para verificar o nível do óleo.

A carona levou o motorista até o posto, não demorou estava ele de volta em um caminhão, colocaram o óleo no tanque, abriram o motor e começaram a bombar com a mão para tirar o ar até o combustível chegar ao motor e funcionar novamente.

—O resto está tudo em ordem no caminhão?

—Olha, carro velho tem dessas cosias o velocímetro também não funciona.

O motor funcionou.

—Não é melhor voltarmos para abastecer?

—Não tem um posto daqui a uma meia hora daqui.

—E esse combustível dará para alcançar o posto.

—Dá, vinte litros dará para andar uns setenta a cem quilômetros, vamos embora que o tempo está passando.

Entraram em seus veículos e foram, dentro do carro conversando. O filho disse:

—Tu viste o cara, colocou um pedaço de pau dentro do tanque para ver o nível do óleo.

—Vá se acostumando com essas coisas, pois esses carros são cheios de gambiarras e estes caminhoneiro são todos doidos, esse mesmo não tem velocímetro e nem cabo de combustível daqui a pouco irão aparecer mais defeitos.

—Ainda bem que o motor esta funcionando normal.

—Eu gosto quando o caminhão esta andando hoje é segunda-feira, saímos do posto às noves horas da manhã e agora que estamos passando em Itabuna.

—Que horas são.

—Doze horas fizemos cento quilômetros em três horas este caminhão é muito devagar estamos viajando a media de quarenta quilômetros por hora.

—Tu achas que chegaremos a Recife quando?

—Do jeito que esse caminhão é lento, hoje ele deve chegar em Feira de Santana e depois mais uns dois dias de viagem chegaremos lá estamos parando esses caras não podem ver um posto que querem parar param em todos.

Desceram o motorista e o dono do caminhão.

—Vamos almoçar aqui. Disse o dono.

—Pelo menos vamos parar para comer.

Desceram todos.  Manobrado o caminhão, colocando o em uma sombra o motorista disse:

—Vocês já comeram comida de caminhoneiro? Se não comerão vão comer agora.

—Pensei que íamos comer no restaurante do posto eu não disse que vou pagar o almoço?

—Guarde o seu dinheiro ele poderá ser útil em outras horas. Nós temos tudo pronto aqui.

Os caras em um instante esquentaram o feijão fizeram uma panela de arroz e esquentaram uma espécie de carne assada fátiada.

—Não sei como o feijão não estraga! Disse o pai.

—É que agente ferve ele a cada seis horas e na caixa da cozinha ele fica quente durante muito tempo de noite daremos outra fervura. Vá buscar um refrigerante ali no restaurante para nós tomarmos.

—Eu vou é só isso que precisam, não querem mais alguma coisa?

O dono do caminhao perguntou para o filho.

—Quantos anos você tem?

—Dezoito.

—E eu tu achas que tenho quantos?

—Não sou muito bom de adivinhar idade, mas tu deves ter uns trinta e cinco.

—Eu tenho dezenove. Disse o dono em um tom irônico.

—Que conversa. Retrucou o filho.

—É verdade eu nem tenho carteira de motorista.

O filho cochichou no ouvido do pai.

—Ele tem fios de cabelos brancos.

—É você parecer ser jovem. Comentou o pai.

—E ele? Retrucou o dono apontando para o motorista.

—Ele dever ter uns quarenta e cinco.

—Esse meu motorista é uma hora comendo, magro desse jeito fica com a comida na boca de um lado para outro, parece que está comendo bucha. Coma logo isso para irmos embora.

O magro só fazia balançar a cabeça sorrindo e a olhar de banda para o dono do caminhão como quem diz, fique na sua que a boca e minha é o estomago também.

—Cada um lava seu prato e vamos que ainda tem muita estrada pela frente.

Subiram no caminhão e dentro do carro de tarde o pai e o filho conversavam.

—Aquele cara não tem dezenove anos de jeito nenhum. Abaixe-se olhe a policia rodoviária federal.

Abaixaram-se dentro do carro o caminhão diminuiu a velocidade por um tempo depois aumentou.

—Pronto já podemos levantar, tu tens se comunicado com sua vó?

—Mais ou menos, meu tio me enviou uma mensagem hoje, quando passamos em Itabuna eu a recebi e envie dizendo que já estamos a caminho.

—Este caminhão é devagar, mas temos que dar graças a Deus de estarmos a caminho. Esse trecho da estrada é diferente, tu notaste que sempre tem barranco de um dos dois lados da pista?

—E é só curvas e não tem muitos sobes e desces, parece andarmos entre montanhas, pelas suas encostas.

—Um posto.

—De policia?

—Não, posto de combustível, aposto que eles iram parar novamente. Esses caras não podem ver um posto que querem parar.

O motorista e o dono desceram da cabine e.

—Vamos tomar um cafezinho e telefonar. Disse o dono.

Era uma região muito verde o posto era em um espaço pequeno onde havia a estrada e poucos lugares para estacionar caminhões cabia no máximo uns dez caminhões em seguida as bombas de combustível e o restaurante também pequeno com uma lanchonete e uma barraca de vender coco e um tanque para recepção de água  proveniente de fonte local e  por traz do restaurante uma bela vista havendo um terraço que dava vista para um barranco e um vale verde. 

—Tu experimentaste água desse posto?

—Não, por quê?

—É doce.

—Lógico, tu querias que fosse salgada?

—Mas essa é doce e tão doce que parecer ter açúcar não e igual a do posto do paraíso, aquela sim que era água pura e cristalina não tinha gosto de nada.

—Está vendo a mulher ligou doida para meu pai perguntando por que eu não tinha ido buscar a mudança dela. Mas foi melhor trazer vocês, na próxima vez que passarmos por aqui nós a traremos, pelo dinheiro foi o mesmo, mas pela praticidade, já pensou em colocar uma mudança toda em cima do caminhão ia demorar, ainda teríamos que procurar onde era a rua, tinha um piano, ia atrasar mais ainda nossas entregas era para estarmos em Salvador hoje e ainda estamos aqui foi melhor ter pego vocês. Vou ficar devendo essa para o meu pai, pois esse caminhão é dele, o meu está no concerto, pois esse magro o bateu e meu pai me emprestou esse para fazer esse frete para a Petrobras, o qual temos contrato e não podemos faltar. Vamos indo, que estrada para nós é o que não falta.

—Posso pedir uma coisa a vocês?

— Claro, diga o que é.

—É para pararmos em uma daquelas paradas que vende suco de laranja de cinqüenta centavos, que tem ali a diante.

—Ainda está muito longe, mas nós pararemos lá.

Subiram e foram. No carro o filho disse:

—Tu te lembras deste posto?

—Não!

—Nós paramos nele na ida, na carreta para comermos os abacaxis.

—Foi mesmo, então deve de estar perto de onde nós almoçamos naquele dia onde nos venderão os abacaxis estragados, quando fomos come-los só tinha um bom o resto estava podre. Aquela carreta é que era andar na estrada o cara tirou em três dias, não é essa tartaruga.

—Tu sabias que o carro sem velocímetro anda menos?

—Não, por quê?

—Por que o motorista fica com medo de desenvolver muita velocidade, com velocímetro ele coloca o ponteiro em cima do oitenta e vai, por que ele sabe que até ali ele tem chances de se houver um acidente as chances que ele tem de dar uma freada ou de desviar com segurança existem e acima disso tornam se mais difíceis.

Uma hora depois o sol já estava baixando aproximavam-se de um lugarejo povoado a beira da estrada, que tinha uma pequena praça uma ponte com um riacho estreito, onde corria muita água por entre as pedras contidas em seu leito, a cidadela prensava a estrada que se transformava em uma ruela de vila de interior. O pai disse.

—Cadê o restaurante que almoçamos?  

—É mais a frente, olhe as barracas de banana.

—É logo a seguir, olhe a casa vermelha, onde funciona o restaurante, olhe a barraca que vendem os cacaus e os abacaxis amarelos bonitos.

O pai coloca a cabeça para fora do carro e grita em direção da barraca onde haviam algumas pessoas.

—O abacaxi daquele dia estava podre.

Os caras da barraca ficam olhando para eles e rindo, o caminhão passou direto e novamente a estrada no meio da mata.

—Ainda bem que o carro quebrou bem defronte daquele posto, já pensou se tivesse quebrado em qualquer outro lugar nesta mata que situação estaríamos, não tem nada às vezes chega a cem quilômetros sem passar um posto. Eu nunca iria imaginar que esse carro fosse dar esse defeito, poderia imaginar todos os defeitos, mas não bater o motor por aquecimento excessivo ou falta de óleo, mas tudo na vida tem uma primeira vez, perdi a confiança em viajar de carro. Se carro dois ponto zero não serve para viajar, para que serve então?

—Carro mil serve para levar as crianças na escola, fazer supermercado, ir ao cinema, ir à praia, nada que se afaste de onde tenha um socorro próximo.

—Somente, não adianta nada se ter um carro possante e ser duvidoso. Já está anoitecendo e nada das barracas de suco passar, esse caminhão é muito devagar, mas pelo menos saímos daquele lugar, estamos devagar cada vez mais perto de casa, parece que vamos parar novamente.

Já era noite em torno de dezenove horas, o caminhão parou em uma lanchonete de suco de laranja, não foi a mesma que João havia parado da última viagem pela aquela região, desceram do caminhão. O dono disse:

—Estão gostando da viajem? Esse caminhão é meio devagar, mas nós chegaremos lá. Vamos fazer um lanche, aqui é bom?

—Estou adorando este lugar, essa viagem.

Respondeu o pai, sentaram-se, o dono perguntou a João.

—Você tem os seus documentos?

—Sim lógico, por quê?

—É por que nós fomos roubados.

—Nós não você, pela aquela piranha. Disse o motorista. Quem manda dar bobeira.

—Levaram dois mil reais e os documentos do caminhão minha carteira de motorista, e para entrar na Petrobras, precisa de dois que estejam com os documentos. É necessário dois para descarregar os tonéis de duzentos litros.

—Tudo bem eu tenho os documentos.

—Vamos descansar em Feira de Santana. Daqui lá esta perto mais umas duas horas no máximo. Dormiremos lá e quando for bem cedo amanhã, iremos a Madre de Deus, depois a Salvador e de lá para Suape e depois de amanhã estaremos no Recife.

O dono do caminhão prosseguiu referindo-se ao motorista.

—Vocês estão vendo esse cara aqui, parece um cara normal, mas ele não é ele é traumatizado, ninguém dá emprego a ele, só um doido como eu.

—Por quê?

Foi que a uns quatro ano atrás, ele dirigia um ônibus em Campos de Goitacazes, ele perdeu a direção e caiu naquele riu, ali é fundo, nisso como era tarde de madrugada e chovia muito, não teve ninguém que viu o acidente, o ônibus foi direto para o fundo e a correnteza o levou, como a maioria dos ocupantes estavam dormindo, morreram todos os ocupantes, não se sabe como, mas o único que se salvou foi ele que o encontraram desmaiado na beira do barranco uns dez quilômetros do local da queda. Quando acharam o ônibus o motorista que era ele foi dado como morto, depois tivemos que mudar o nome dele para poder tirar uma nova carteira de motorista.

—Vocês são todos enrolados.

—Se alguém em Campos descobrir que ele esta vivo, serão capaz de quererem linchá-lo. Por isso que ele é assim magro, não come direito só sabe fumar, é conseqüência do trauma. Ele diz que ficou dentro do ônibus com os cadáveres, só havia um palmo de ar entre a água dentro e o teto do ônibus e a corredeira levando para fora da cidade. Até que ele criou coragem mergulhou naquela água escura batendo nos cadáveres até que conseguiu abrir uma janela e sair. O ônibus ficou preso em umas pedras. E ele nadou para a margem por pouco não caíram na cachoeira.

O motorista escutando e olhando com os olhos arregalados, balançando a cabeça em um movimento de afirmando e negando, soltava um riso amarelo e coçava a cabeça.

—Estão vendo ele não gosta quando eu falo nessa estória para os outros, ele fica agoniado. E ai vamos andando. Parece que eu os deixei assustados.

—A mim não, eu já estou acostumado com estórias cabeludas.

Dentro do carro. O filho disse:

—Esses são enrolados mesmo, um sem os documentos o outro com documentos falsos e foragido. Só falta eles quererem se virar contra nós para fazerem algo errado.

—Quanto a isso eu não me preocupo, pois eles são guerreiros, os caras para estarem nessa vida são pessoas sofridas e batalhadoras, talvez um pouco irresponsáveis, mas acho que ninguém quer morrer. Na estrada passa se um bocado de apuros tem que ser corajoso, e alem do mais esse é o trabalho deles.

—Se eles cismarem de parar o caminhão no meio do nada e quiserem nos matar eles fazem e ninguém ficara sabendo.

—Eles não vão fazer isso, por que tu estás com medo, nós somos dois contra dois, para eles fazerem alguma coisa vão ter de fazer com nós dois.

—Medo eu não estou. Mas do jeito que o mundo é nunca se pode confiar, é confiando desconfiando. Esses caras tomam arrebite, eles podem ter uma alteração na mente, tu ouviu o motorista daquele outro caminhão dizendo que tem uns caras que os comprimidos não fazem mais efeito, de tanto que tomaram só conseguem ficar acordados se cheirarem farinha.

—Isso eu não tinha escutado.

—Foi quando tu foste ao banheiro.

—Até caminhoneiro usa droga, pelo menos se esses baterem não foi por que estavam com sono, será por que estão doidão. Os caras vão parar novamente.

Pararam. O filho disse:

—Eu não vou nem descer. Acho que eles vão comer de novo. Olhe eles estão abrindo a caixa da cozinha.

—Será, nós acabamos de comer, eu vou descer para ver o que está acontecendo.

—E ai magro está gostando da viagem? Disse o dono.

—Está ótima melhor não poderia ser.

—Se você está gostando está ótimo e eu fico contente. Tu sabes caminhão  é assim mesmo demora, para muito não é que nem carro pequeno que voa.

— Não que nada, nem se preocupe, viagem melhor que essa não poderia ser nunca, eu nem posso imaginar o que poderia ter acontecido se vocês não tivessem dado essa força. Nós conversávamos com todos os caminhoneiros que por ali paravam e nenhum nos ajudarão, por isso estou sendo muito grato a vocês que caíram do céu como anjos do bem.

—Está ouvindo motorista o que o magro está dizendo, que está gostando da viagem, e o teu filho está bem, cadê ele? Nós estamos esquentando o feijão para não estragar, até a hora do almoço, amanhã de manhã dá-se outra esquentada assim ele não estraga, nós não temos geladeira.

—Não é melhor comer no restaurante dos postos?

—Para dois sairá muito caro, vai embora parte do lucro da viagem, aqui é melhor, nós sabemos o que estamos comendo. Nós dormiremos aqui, pois este é um lugar bom e seguro para se abrigar durante a noite, estamos perto de Feira de Santana e essas estradas a noite é um perigo se o carro quebrar na estrada aparecera ladrão de todos nos lados, ai para frente é perigoso. Amanhã de manhã iremos descarregar esses tonéis e umas caixas de óleo em Madre de Deus. Serão duas entregas em lugares diferentes, se tudo der certo de meio dia estamos livres desta e partiremos para Salvador lá tem mais uma entrega.

—Dormem vocês dois dentro da cabine do caminhão?

—Não que nada, tu achas que eu vou dormir do lado desse motorista doido. Ele é sonâmbulo, vou amarrar uma rede aqui desse poste para o caminhão e vou dormir por que amanhã teremos muito trabalho a fazer, aquela Petrobras é muita burocracia eles sempre inventam alguma coisa para atrasar.

—Tem quantos quilômetros daqui até lá?

—Está perto uns setenta.

—Não dava para dormir na porta da Petrobras?

—Lá que é perigoso, é cheio de ladrão de combustível, caminhoneiro tem que dormir em posto de caminhoneiro, lá é pátio de indústria não tem nada, a noite fecha e o movimento de carga e descarga só durante o expediente.

—Vou lá ao posto telefonar, querem alguma coisa de lá?

—Traz uma carteira de cigarros.

Havia mais de cinqüenta caminhões estacionados no pátio do posto, a pesar do pátio cheio era pouco o movimento na lanchonete, um enorme salão com um balcão em u na frente e para trás estavam as mesas, o pai dirigiu-se ao telefone que ficava na área externa em um terraço que rodeava o salão.

—Alô, filho aqui está tudo bem, pegamos uma carona em um caminhão daqui a dois dias nós chegaremos ai. Anote aplaca do caminhão que estamos qualquer coisa que aconteça tu saberás com quem nós estavamos.

—E esse caminhão corre muito?

—Qualquer tartaruga corre mais que ele.

Voltando ao caminhão.

—Olha o cigarro, e ai vocês vão dormir?

—Vou dormir agora, estava só esperando o cigarro.

—Então boa noite vou subir nessa carroceria e ajeitar um lugar para mim dormir.

Abriu a porta do carro e lá estava seu filho esticado no banco traseiro, olhou o e perguntou.

—Já está perto de Salvador?

—Mais ou menos, mais umas duas horas. Tu estás cansado?

—Só se for de não fazer nada. Tu reparaste que nessa estrada toda que viajamos hoje, não passamos por nenhum posto de policia rodoviária?

—Ainda bem que não apareceram, senão iriam nos incomodar, eles devem de estar ai à frente nos esperando. Tu vais dormir ai?

—Vou.

—Eu vou pegar o colchonete na mala e me deitar em baixo do carro e curtir esse céu super estrelado.

—Parece que teu tio estava prevendo alguma coisa, para ele te dar esse saco de dormir.

—Está sendo de uma utilidade muito grande, pois não gosto de dormir dentro do carro, pois tenho que dormir com as pernas encolhidas.

—No começo eu estranhei, mas agora já me acostumei. É o poder de adaptação que o ser humano tem de se adequar às diversas situações que lhe é apresentada, goste ou não tem que se aceitar e com paciência para não entrar em desespero.

—É, por que uma pessoa desesperada não consegue raciocinar com exatidão.   

—Eu estou tranqüilo.

—Este foi um dos motivos que eu quis que tu ficasses comigo.

—E quais são os outros?

—Me fazer companhia.

—Duas cabeças pensam melhor que uma.

—Também, mas o mais importante é que estamos em uma guerra, pois não sabemos quem são esses caras, apesar de que eles não estão se parecendo hostis, estamos em igualdade dois a dois. Se eu estivesse aqui sozinho, teria que dispor de atenção dobrada, por que o carro cheio de bagagens, eu não ia poder me afastar um segundo de perto que os caras podiam querer ir embora sem mim.

—Eles podiam aproveitar de um descuido teu irem embora, com dois torna-se mais difícil um vai ao banheiro o outro fica perto do carro, apesar que nós temos celulares.

— E quem disse que celular funciona nesse fim de mundo?

— É mesmo tinha me esquecido.

— O negocio é dormir e ver o que irá acontecer amanhã.

O dia assim que começou a aparecer os primeiros clarões no céu, o primeiro a acordar foi o motorista, desceu da cabine do caminhão onde havia dormido, acendeu um cigarro e foi na caixa da cozinha tirou o feijão, colocou-o no fogo, em seguida acordou o dono do caminhão, com o falatório dos dois o pai acordou, desceu da carroceria e foi ao encontro dos dois. E disse:

—Bom dia.

—Bom dia, dormiram bem, estão gostando da viagem?

—A viagem está ótima uma verdadeira aventura, dormi ótimo, melhor não poderia ter sido. Vocês vão comer o feijão agora?

— Não nós já vamos andar, vamos só esquentar o feijão para que ele não estrague e vamos.

Com o falatório o filho acordou, tomaram um café e pé na estrada, com dez minutos pegaram uma via de mão única a qual liga Salvador a Feira de Santana uma estrada muito movimentada,andaram uns cinqüenta minutos.

— Esta é a melhor hora da estrada a mata ainda molhada do orvalho da madrugada conserva o clima úmido da noite, daqui a pouco quem estará mandando no clima será o sol que virá com seu calor insuportável.

De repente o pai para o que está dizendo e.

—Abaixe-se que há um posto de policia estadual daqui a cem metros.

O pai olha pelo retrovisor interno e.

—Podemos nos levantar. De novo abaixe-se.

—O que foi desta vez?

—É uma viatura policial parada no acostamento.

—Já passou?

—Passou podemos levantar.

O caminhão virou a direita em uma estrada de mão dupla, é uma pista mais estreita e com alguns buracos, o que impedia andar rápido. Indo para Candeias, este trecho haviam muitas estradas e caminhos diversos pois estavam se aproximando do pólo industrial baiano, nove e trinta chegaram em frente aos tanques da Petrobras. Parou no acostamento um lugar poeirento os caminhões pipas entravam e saiam da indústria, do lado havia um posto muito grande, mas meio que abandonado, apenas funcionava nele uma bomba de gasolina e a lanchonete, o qual ficava em um alto e do lado o portão da Petrobras. Do outro lado da estrada havia uma vegetação alta de mangue a qual escondia atrás dela o mar, desceram do caminhão os quatro. E o dono disse ao pai.

—Estou precisando de um favor seu.

—Diga o que é.

—Você vá com o motorista lá dentro, por que serão preciso de duas pessoas para descarregar os tambores de óleo eu e seu filho ficaremos aqui fora esperando.

Aproxima-se um cara de bermuda e calçando chinelos sem camisa com um galão na mão e diz:

—Quer comprar diesel a um real o litro?

—Não muito obrigado. Respondeu o dono do caminhão.

O cara foi-se embora, nisso havia vários rapazes que corriam do lado dos caminhões pipa de óleo diesel em movimento, com um galão em uma mão e a outra era para se agarrar no caminhão e abrir uma torneira existente na lateral na parte inferior da pipa, retirando uma quantidade de óleo isso com o carro em movimento.

—Entendeu por que quando tu me perguntaste por que não dormimos aqui?

—Entendi, aqui só tem ladrão.

—É isso ai, é melhor irem para a fila, para nós irmos o quanto antes embora deste lugar.

Subiram no caminhão, entraram na área da Petrobras e pararam na fila como se fosse uma fila de pedágio onde eram entregue as notas das mercadorias e os caminhões eram liberados para entrarem na área interna onde ficam os combustíveis armazenados nos tanques. O motorista pegou as notas e entregou as na cabine e retornou ao veiculo na fila onde havia dois carros à frente, entrou no carro e disse:

—Agora é só esperar.

Veio um guarda da segurança e pediu que retirassem o caminhão da fila e estacionassem o no pátio.

—O que aconteceu?

—Não sei, eles ficaram com as notas e não disseram nada o negocio agora é tirar o carro da fila.

—O vigia está mandando estacionar o carro ali.

Depois de estarem estacionados há meia hora, o pai disse:

—Vou lá à cabine ver se resolvo essa situação.

—Por favor, estou naquele caminhão e quero saber o que está acontecendo, estamos aqui à meia hora e não liberaram a nossa entrada.

O funcionário entregou os as notas e disse:

—O encarregado do setor que receberá sua carga disse que não podem entrar com o caminhão transportando um carro em cima.

—Então é isso, por que não avisaram antes?

O pai ainda tentou conversar com os seguranças, mas não teve jeito.

—A ordem veio lá de dentro eu estou apenas fazendo o meu serviço.

O segurança ainda tentou falar com o responsável pelo comunicador, mas não teve jeito, o pai voltou para o caminhão e explicou para o motorista.

—É, vamos lá fora falar com o dono.

—Não tem problema vamos adiantar o serviço, pois temos uma outra entrega neste lugar e lá é pouca coisa não haverá problemas enquanto isso procuraremos um lugar para descer o carro.

Novamente o caminhão andando, adiante na rua que ia em direção ao centro de Madre de Deus, via-se uma imagem linda a esquerda, avistava-se os concreto de Salvador ao horizonte visto de dentro da baia que é chamada de recôncavo baiano———————– era como se estivesse nas margens de um grande golfo e na lateral esquerda a cidade e a direita a ilha de Itaparica e no fundo do lago a água parada, o mar liso e calmo, o dia nublado, entraram em uma rua à direita e pararam. O motorista desceu e.

—Vamos descarregar essas caixas aqui, são essas oito caixas de óleo especial, dá para descê-las para min?

—São só essas?

Foram fazer a entrega, enquanto isso o pai procurando umas tábuas para fazer de rampa, para descer o carro, avistou as no fundo de um terreno, entrou no terreno qual não era murado, em quanto estava examinando as tabuas, observou que a casa do lado havia um aspecto de ser um bar e dentro havia um cara que o observava em seus movimentos, o pai olhou para a casa e observou um rapaz baixo com o cabelo em rabo de cavalo, pensou: aquele cara tem jeito de ser boa gente, aproximou-se para falar.

—Por favor, será que não dá para emprestar duas tabuas que estão ali para podermos descer o carro de cima do caminhão. Ali tem umas tabuas boas de madeira forte que veio a calhar para fazer o serviço.

O cara o observava com um olhar curioso, mas desconfiado então o pai disse.

—Tu me alugas as tabuas.

Com isso o cara mostrou-se interessado em ajudar, e perguntou.

—Quais são essas tábuas?

—Venha aqui que vou te mostrar.

Foram até o fundo da casa e apontando para as tabuas disse.

—São essas aqui.

Eram umas tabuas de uma madeira forte o pai acostumado de ver tabuas em construções percebeu que eram de madeira boa e resistente, madeira escura, continuou.

—Será que tu podes emprestá-las a mim?

Essas tabuas estavam no chão e serviam de ponte entre os fundos da casa e a parte onde havia um tanque de lavar roupas, e um banheiro nos fundos da casa feito de tabuas colocadas em pé.

—Essas tabuas são as tabuas do meu banheiro.

O rapaz já havia observado que as tabuas serviam de ponte para ir ao banheiro e não pisar na água que havia sobre o chão do terreno, era uma espécie de lama e água misturada quem sabe a fossa estava ali também a céu aberto. O pai disse.

—Não tem problema assim que eu as usar eu as devolvo segure aqui esses dez reais que quando eu as trouxer de volta te darei mais dez.

O rapaz ficou muito contente, pois estava começando o dia com dez reais na mão.

—Então está bem, tu tens como tirar as tábuas?

O pai saiu do terreno, foi até o caminhão e disse:

—Consegui as tabuas, vem um comigo para ajudar a trazê-las.

O motorista foi, por que o filho e o dono estavam fazendo a entrega das caixas de óleo.

—Pelo menos as tabuas nós já as temos. Tem uma parada de ônibus do lado do mar que tem um barranco do lado, parece que dá para descer o carro, quando passarem de volta dêem uma olhada.

Passaram pela parada, mas não havia como o caminhão manobrar. Com isso chegaram de volta à porta da Petrobras.

—E agora? Perguntou o filho.

—Vou dar uma olhada no local do barranco na frente do posto.

—Ali parece ser bom.

O pai foi e observou que o terreno onde havia o jardim do posto, escondia sobre o capim algumas valetas e alguns blocos de concreto, retornou e o dono perguntou.

—Tem condições de parar ali?

—Terá de ser ali mesmo, o único inconveniente é se não der para tirar o carro dali, não terá como tirá-lo por traz, pois o terreno tem várias saliências que o impede a passagem.

—Não se preocupe por que dará tudo certo, vamos lá logo que o tempo está passando.

Desceram o carro no barranco e foram novamente para a fila.

—Coloque o capacete, eu vou lá entregar a nota.

Quando o fiscal viu a chapa do caminhão disse.

—Este veiculo está interditado pela segurança. Aguardem no pátio.

Mais uma vez tiveram que sair da fila e ficar no pátio esperando a boa vontade de os liberarem. O pai pegou as notas para ler e disse:

—Poxa cada tambor desses custa cinco mil reais. E o que tem dentro deles?

—Isto é para fazer gasolina aditivada, mistura-se um tambor desses em dois milhões de litros de gasolina comum.

—Olhe está escrito aqui trinitroglicerina. Isso é usado para fazer bomba.

—Esse liquido é mais grosso que melaço.

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—Não, por quê?

—Por que o motorista fica com medo de desenvolver muita velocidade, com velocímetro ele coloca o ponteiro em cima do oitenta e vai, por que ele sabe que até ali ele tem chances de se houver um acidente as chances que ele tem de dar uma freada ou de desviar com segurança existem e acima disso tornam se mais difíceis.

Uma hora depois o sol já estava baixando aproximavam-se de um lugarejo povoado a beira da estrada, que tinha uma pequena praça uma ponte com um riacho estreito, onde corria muita água por entre as pedras contidas em seu leito, a cidadela prensava a estrada que se transformava em uma ruela de vila de interior. O pai disse.

—Cadê o restaurante que almoçamos?  

—É mais a frente, olhe as barracas de banana.

—É logo a seguir, olhe a casa vermelha, onde funciona o restaurante, olhe a barraca que vendem os cacaus e os abacaxis amarelos bonitos.

O pai coloca a cabeça para fora do carro e grita em direção da barraca onde haviam algumas pessoas.

—O abacaxi daquele dia estava podre.

Os caras da barraca ficam olhando para eles e rindo, o caminhão passou direto e novamente a estrada no meio da mata.

—Ainda bem que o carro quebrou bem defronte daquele posto, já pensou se tivesse quebrado em qualquer outro lugar nesta mata que situação estaríamos, não tem nada às vezes chega a cem quilômetros sem passar um posto. Eu nunca iria imaginar que esse carro fosse dar esse defeito, poderia imaginar todos os defeitos, mas não bater o motor por aquecimento excessivo ou falta de óleo, mas tudo na vida tem uma primeira vez, perdi a confiança em viajar de carro. Se carro dois ponto zero não serve para viajar, para que serve então?

—Carro mil serve para levar as crianças na escola, fazer supermercado, ir ao cinema, ir à praia, nada que se afaste de onde tenha um socorro próximo.

—Somente, não adianta nada se ter um carro possante e ser duvidoso. Já está anoitecendo e nada das barracas de suco passar, esse caminhão é muito devagar, mas pelo menos saímos daquele lugar, estamos devagar cada vez mais perto de casa, parece que vamos parar novamente.

Já era noite em torno de dezenove horas, o caminhão parou em uma lanchonete de suco de laranja, não foi a mesma que João havia parado da última viagem pela aquela região, desceram do caminhão. O dono disse:

—Estão gostando da viajem? Esse caminhão é meio devagar, mas nós chegaremos lá. Vamos fazer um lanche, aqui é bom?

—Estou adorando este lugar, essa viagem.

Respondeu o pai, sentaram-se, o dono perguntou a João.

—Você tem os seus documentos?

—Sim lógico, por quê?

—É por que nós fomos roubados.

—Nós não você, pela aquela piranha. Disse o motorista. Quem manda dar bobeira.

—Levaram dois mil reais e os documentos do caminhão minha carteira de motorista, e para entrar na Petrobras, precisa de dois que estejam com os documentos. É necessário dois para descarregar os tonéis de duzentos litros.

—Tudo bem eu tenho os documentos.

—Vamos descansar em Feira de Santana. Daqui lá esta perto mais umas duas horas no máximo. Dormiremos lá e quando for bem cedo amanhã, iremos a Madre de Deus, depois a Salvador e de lá para Suape e depois de amanhã estaremos no Recife.

O dono do caminhão prosseguiu referindo-se ao motorista.

—Vocês estão vendo esse cara aqui, parece um cara normal, mas ele não é ele é traumatizado, ninguém dá emprego a ele, só um doido como eu.

—Por quê?

Foi que a uns quatro ano atrás, ele dirigia um ônibus em Campos de Goitacazes, ele perdeu a direção e caiu naquele riu, ali é fundo, nisso como era tarde de madrugada e chovia muito, não teve ninguém que viu o acidente, o ônibus foi direto para o fundo e a correnteza o levou, como a maioria dos ocupantes estavam dormindo, morreram todos os ocupantes, não se sabe como, mas o único que se salvou foi ele que o encontraram desmaiado na beira do barranco uns dez quilômetros do local da queda. Quando acharam o ônibus o motorista que era ele foi dado como morto, depois tivemos que mudar o nome dele para poder tirar uma nova carteira de motorista.

—Vocês são todos enrolados.

—Se alguém em Campos descobrir que ele esta vivo, serão capaz de quererem linchá-lo. Por isso que ele é assim magro, não come direito só sabe fumar, é conseqüência do trauma. Ele diz que ficou dentro do ônibus com os cadáveres, só havia um palmo de ar entre a água dentro e o teto do ônibus e a corredeira levando para fora da cidade. Até que ele criou coragem mergulhou naquela água escura batendo nos cadáveres até que conseguiu abrir uma janela e sair. O ônibus ficou preso em umas pedras. E ele nadou para a margem por pouco não caíram na cachoeira.

O motorista escutando e olhando com os olhos arregalados, balançando a cabeça em um movimento de afirmando e negando, soltava um riso amarelo e coçava a cabeça.

—Estão vendo ele não gosta quando eu falo nessa estória para os outros, ele fica agoniado. E ai vamos andando. Parece que eu os deixei assustados.

—A mim não, eu já estou acostumado com estórias cabeludas.

Dentro do carro. O filho disse:

—Esses são enrolados mesmo, um sem os documentos o outro com documentos falsos e foragido. Só falta eles quererem se virar contra nós para fazerem algo errado.

—Quanto a isso eu não me preocupo, pois eles são guerreiros, os caras para estarem nessa vida são pessoas sofridas e batalhadoras, talvez um pouco irresponsáveis, mas acho que ninguém quer morrer. Na estrada passa se um bocado de apuros tem que ser corajoso, e alem do mais esse é o trabalho deles.

—Se eles cismarem de parar o caminhão no meio do nada e quiserem nos matar eles fazem e ninguém ficara sabendo.

—Eles não vão fazer isso, por que tu estás com medo, nós somos dois contra dois, para eles fazerem alguma coisa vão ter de fazer com nós dois.

—Medo eu não estou. Mas do jeito que o mundo é nunca se pode confiar, é confiando desconfiando. Esses caras tomam arrebite, eles podem ter uma alteração na mente, tu ouviu o motorista daquele outro caminhão dizendo que tem uns caras que os comprimidos não fazem mais efeito, de tanto que tomaram só conseguem ficar acordados se cheirarem farinha.

—Isso eu não tinha escutado.

—Foi quando tu foste ao banheiro.

—Até caminhoneiro usa droga, pelo menos se esses baterem não foi por que estavam com sono, será por que estão doidão. Os caras vão parar novamente.

Pararam. O filho disse:

—Eu não vou nem descer. Acho que eles vão comer de novo. Olhe eles estão abrindo a caixa da cozinha.

—Será, nós acabamos de comer, eu vou descer para ver o que está acontecendo.

—E ai magro está gostando da viagem? Disse o dono.

—Está ótima melhor não poderia ser.

—Se você está gostando está ótimo e eu fico contente. Tu sabes caminhão  é assim mesmo demora, para muito não é que nem carro pequeno que voa.

— Não que nada, nem se preocupe, viagem melhor que essa não poderia ser nunca, eu nem posso imaginar o que poderia ter acontecido se vocês não tivessem dado essa força. Nós conversávamos com todos os caminhoneiros que por ali paravam e nenhum nos ajudarão, por isso estou sendo muito grato a vocês que caíram do céu como anjos do bem.

—Está ouvindo motorista o que o magro está dizendo, que está gostando da viagem, e o teu filho está bem, cadê ele? Nós estamos esquentando o feijão para não estragar, até a hora do almoço, amanhã de manhã dá-se outra esquentada assim ele não estraga, nós não temos geladeira.

—Não é melhor comer no restaurante dos postos?

—Para dois sairá muito caro, vai embora parte do lucro da viagem, aqui é melhor, nós sabemos o que estamos comendo. Nós dormiremos aqui, pois este é um lugar bom e seguro para se abrigar durante a noite, estamos perto de Feira de Santana e essas estradas a noite é um perigo se o carro quebrar na estrada aparecera ladrão de todos nos lados, ai para frente é perigoso. Amanhã de manhã iremos descarregar esses tonéis e umas caixas de óleo em Madre de Deus. Serão duas entregas em lugares diferentes, se tudo der certo de meio dia estamos livres desta e partiremos para Salvador lá tem mais uma entrega.

—Dormem vocês dois dentro da cabine do caminhão?

—Não que nada, tu achas que eu vou dormir do lado desse motorista doido. Ele é sonâmbulo, vou amarrar uma rede aqui desse poste para o caminhão e vou dormir por que amanhã teremos muito trabalho a fazer, aquela Petrobras é muita burocracia eles sempre inventam alguma coisa para atrasar.

—Tem quantos quilômetros daqui até lá?

—Está perto uns setenta.

—Não dava para dormir na porta da Petrobras?

—Lá que é perigoso, é cheio de ladrão de combustível, caminhoneiro tem que dormir em posto de caminhoneiro, lá é pátio de indústria não tem nada, a noite fecha e o movimento de carga e descarga só durante o expediente.

—Vou lá ao posto telefonar, querem alguma coisa de lá?

—Traz uma carteira de cigarros.

Havia mais de cinqüenta caminhões estacionados no pátio do posto, a pesar do pátio cheio era pouco o movimento na lanchonete, um enorme salão com um balcão em u na frente e para trás estavam as mesas, o pai dirigiu-se ao telefone que ficava na área externa em um terraço que rodeava o salão.

—Alô, filho aqui está tudo bem, pegamos uma carona em um caminhão daqui a dois dias nós chegaremos ai. Anote aplaca do caminhão que estamos qualquer coisa que aconteça tu saberás com quem nós estavamos.

—E esse caminhão corre muito?

—Qualquer tartaruga corre mais que ele.

Voltando ao caminhão.

—Olha o cigarro, e ai vocês vão dormir?

—Vou dormir agora, estava só esperando o cigarro.

—Então boa noite vou subir nessa carroceria e ajeitar um lugar para mim dormir.

Abriu a porta do carro e lá estava seu filho esticado no banco traseiro, olhou o e perguntou.

—Já está perto de Salvador?

—Mais ou menos, mais umas duas horas. Tu estás cansado?

—Só se for de não fazer nada. Tu reparaste que nessa estrada toda que viajamos hoje, não passamos por nenhum posto de policia rodoviária?

—Ainda bem que não apareceram, senão iriam nos incomodar, eles devem de estar ai à frente nos esperando. Tu vais dormir ai?

—Vou.

—Eu vou pegar o colchonete na mala e me deitar em baixo do carro e curtir esse céu super estrelado.

—Parece que teu tio estava prevendo alguma coisa, para ele te dar esse saco de dormir.

—Está sendo de uma utilidade muito grande, pois não gosto de dormir dentro do carro, pois tenho que dormir com as pernas encolhidas.

—No começo eu estranhei, mas agora já me acostumei. É o poder de adaptação que o ser humano tem de se adequar às diversas situações que lhe é apresentada, goste ou não tem que se aceitar e com paciência para não entrar em desespero.

—É, por que uma pessoa desesperada não consegue raciocinar com exatidão.   

—Eu estou tranqüilo.

—Este foi um dos motivos que eu quis que tu ficasses comigo.

—E quais são os outros?

—Me fazer companhia.

—Duas cabeças pensam melhor que uma.

—Também, mas o mais importante é que estamos em uma guerra, pois não sabemos quem são esses caras, apesar de que eles não estão se parecendo hostis, estamos em igualdade dois a dois. Se eu estivesse aqui sozinho, teria que dispor de atenção dobrada, por que o carro cheio de bagagens, eu não ia poder me afastar um segundo de perto que os caras podiam querer ir embora sem mim.

—Eles podiam aproveitar de um descuido teu irem embora, com dois torna-se mais difícil um vai ao banheiro o outro fica perto do carro, apesar que nós temos celulares.

— E quem disse que celular funciona nesse fim de mundo?

— É mesmo tinha me esquecido.

— O negocio é dormir e ver o que irá acontecer amanhã.

O dia assim que começou a aparecer os primeiros clarões no céu, o primeiro a acordar foi o motorista, desceu da cabine do caminhão onde havia dormido, acendeu um cigarro e foi na caixa da cozinha tirou o feijão, colocou-o no fogo, em seguida acordou o dono do caminhão, com o falatório dos dois o pai acordou, desceu da carroceria e foi ao encontro dos dois. E disse:

—Bom dia.

—Bom dia, dormiram bem, estão gostando da viagem?

—A viagem está ótima uma verdadeira aventura, dormi ótimo, melhor não poderia ter sido. Vocês vão comer o feijão agora?

— Não nós já vamos andar, vamos só esquentar o feijão para que ele não estrague e vamos.

Com o falatório o filho acordou, tomaram um café e pé na estrada, com dez minutos pegaram uma via de mão única a qual liga Salvador a Feira de Santana uma estrada muito movimentada,andaram uns cinqüenta minutos.

— Esta é a melhor hora da estrada a mata ainda molhada do orvalho da madrugada conserva o clima úmido da noite, daqui a pouco quem estará mandando no clima será o sol que virá com seu calor insuportável.

De repente o pai para o que está dizendo e.

—Abaixe-se que há um posto de policia estadual daqui a cem metros.

O pai olha pelo retrovisor interno e.

—Podemos nos levantar. De novo abaixe-se.

—O que foi desta vez?

—É uma viatura policial parada no acostamento.

—Já passou?

—Passou podemos levantar.

O caminhão virou a direita em uma estrada de mão dupla, é uma pista mais estreita e com alguns buracos, o que impedia andar rápido. Indo para Candeias, este trecho haviam muitas estradas e caminhos diversos pois estavam se aproximando do pólo industrial baiano, nove e trinta chegaram em frente aos tanques da Petrobras. Parou no acostamento um lugar poeirento os caminhões pipas entravam e saiam da indústria, do lado havia um posto muito grande, mas meio que abandonado, apenas funcionava nele uma bomba de gasolina e a lanchonete, o qual ficava em um alto e do lado o portão da Petrobras. Do outro lado da estrada havia uma vegetação alta de mangue a qual escondia atrás dela o mar, desceram do caminhão os quatro. E o dono disse ao pai.

—Estou precisando de um favor seu.

—Diga o que é.

—Você vá com o motorista lá dentro, por que serão preciso de duas pessoas para descarregar os tambores de óleo eu e seu filho ficaremos aqui fora esperando.

Aproxima-se um cara de bermuda e calçando chinelos sem camisa com um galão na mão e diz:

—Quer comprar diesel a um real o litro?

—Não muito obrigado. Respondeu o dono do caminhão.

O cara foi-se embora, nisso havia vários rapazes que corriam do lado dos caminhões pipa de óleo diesel em movimento, com um galão em uma mão e a outra era para se agarrar no caminhão e abrir uma torneira existente na lateral na parte inferior da pipa, retirando uma quantidade de óleo isso com o carro em movimento.

—Entendeu por que quando tu me perguntaste por que não dormimos aqui?

—Entendi, aqui só tem ladrão.

—É isso ai, é melhor irem para a fila, para nós irmos o quanto antes embora deste lugar.

Subiram no caminhão, entraram na área da Petrobras e pararam na fila como se fosse uma fila de pedágio onde eram entregue as notas das mercadorias e os caminhões eram liberados para entrarem na área interna onde ficam os combustíveis armazenados nos tanques. O motorista pegou as notas e entregou as na cabine e retornou ao veiculo na fila onde havia dois carros à frente, entrou no carro e disse:

—Agora é só esperar.

Veio um guarda da segurança e pediu que retirassem o caminhão da fila e estacionassem o no pátio.

—O que aconteceu?

—Não sei, eles ficaram com as notas e não disseram nada o negocio agora é tirar o carro da fila.

—O vigia está mandando estacionar o carro ali.

Depois de estarem estacionados há meia hora, o pai disse:

—Vou lá à cabine ver se resolvo essa situação.

—Por favor, estou naquele caminhão e quero saber o que está acontecendo, estamos aqui à meia hora e não liberaram a nossa entrada.

O funcionário entregou os as notas e disse:

—O encarregado do setor que receberá sua carga disse que não podem entrar com o caminhão transportando um carro em cima.

—Então é isso, por que não avisaram antes?

O pai ainda tentou conversar com os seguranças, mas não teve jeito.

—A ordem veio lá de dentro eu estou apenas fazendo o meu serviço.

O segurança ainda tentou falar com o responsável pelo comunicador, mas não teve jeito, o pai voltou para o caminhão e explicou para o motorista.

—É, vamos lá fora falar com o dono.

—Não tem problema vamos adiantar o serviço, pois temos uma outra entrega neste lugar e lá é pouca coisa não haverá problemas enquanto isso procuraremos um lugar para descer o carro.

Novamente o caminhão andando, adiante na rua que ia em direção ao centro de Madre de Deus, via-se uma imagem linda a esquerda, avistava-se os concreto de Salvador ao horizonte visto de dentro da baia que é chamada de recôncavo baiano———————– era como se estivesse nas margens de um grande golfo e na lateral esquerda a cidade e a direita a ilha de Itaparica e no fundo do lago a água parada, o mar liso e calmo, o dia nublado, entraram em uma rua à direita e pararam. O motorista desceu e.

—Vamos descarregar essas caixas aqui, são essas oito caixas de óleo especial, dá para descê-las para min?

—São só essas?

Foram fazer a entrega, enquanto isso o pai procurando umas tábuas para fazer de rampa, para descer o carro, avistou as no fundo de um terreno, entrou no terreno qual não era murado, em quanto estava examinando as tabuas, observou que a casa do lado havia um aspecto de ser um bar e dentro havia um cara que o observava em seus movimentos, o pai olhou para a casa e observou um rapaz baixo com o cabelo em rabo de cavalo, pensou: aquele cara tem jeito de ser boa gente, aproximou-se para falar.

—Por favor, será que não dá para emprestar duas tabuas que estão ali para podermos descer o carro de cima do caminhão. Ali tem umas tabuas boas de madeira forte que veio a calhar para fazer o serviço.

O cara o observava com um olhar curioso, mas desconfiado então o pai disse.

—Tu me alugas as tabuas.

Com isso o cara mostrou-se interessado em ajudar, e perguntou.

—Quais são essas tábuas?

—Venha aqui que vou te mostrar.

Foram até o fundo da casa e apontando para as tabuas disse.

—São essas aqui.

Eram umas tabuas de uma madeira forte o pai acostumado de ver tabuas em construções percebeu que eram de madeira boa e resistente, madeira escura, continuou.

—Será que tu podes emprestá-las a mim?

Essas tabuas estavam no chão e serviam de ponte entre os fundos da casa e a parte onde havia um tanque de lavar roupas, e um banheiro nos fundos da casa feito de tabuas colocadas em pé.

—Essas tabuas são as tabuas do meu banheiro.

O rapaz já havia observado que as tabuas serviam de ponte para ir ao banheiro e não pisar na água que havia sobre o chão do terreno, era uma espécie de lama e água misturada quem sabe a fossa estava ali também a céu aberto. O pai disse.

—Não tem problema assim que eu as usar eu as devolvo segure aqui esses dez reais que quando eu as trouxer de volta te darei mais dez.

O rapaz ficou muito contente, pois estava começando o dia com dez reais na mão.

—Então está bem, tu tens como tirar as tábuas?

O pai saiu do terreno, foi até o caminhão e disse:

—Consegui as tabuas, vem um comigo para ajudar a trazê-las.

O motorista foi, por que o filho e o dono estavam fazendo a entrega das caixas de óleo.

—Pelo menos as tabuas nós já as temos. Tem uma parada de ônibus do lado do mar que tem um barranco do lado, parece que dá para descer o carro, quando passarem de volta dêem uma olhada.

Passaram pela parada, mas não havia como o caminhão manobrar. Com isso chegaram de volta à porta da Petrobras.

—E agora? Perguntou o filho.

—Vou dar uma olhada no local do barranco na frente do posto.

—Ali parece ser bom.

O pai foi e observou que o terreno onde havia o jardim do posto, escondia sobre o capim algumas valetas e alguns blocos de concreto, retornou e o dono perguntou.

—Tem condições de parar ali?

—Terá de ser ali mesmo, o único inconveniente é se não der para tirar o carro dali, não terá como tirá-lo por traz, pois o terreno tem várias saliências que o impede a passagem.

—Não se preocupe por que dará tudo certo, vamos lá logo que o tempo está passando.

Desceram o carro no barranco e foram novamente para a fila.

—Coloque o capacete, eu vou lá entregar a nota.

Quando o fiscal viu a chapa do caminhão disse.

—Este veiculo está interditado pela segurança. Aguardem no pátio.

Mais uma vez tiveram que sair da fila e ficar no pátio esperando a boa vontade de os liberarem. O pai pegou as notas para ler e disse:

—Poxa cada tambor desses custa cinco mil reais. E o que tem dentro deles?

—Isto é para fazer gasolina aditivada, mistura-se um tambor desses em dois milhões de litros de gasolina comum.

—Olhe está escrito aqui trinitroglicerina. Isso é usado para fazer bomba.

—Esse liquido é mais grosso que melaço.

—Isso sim é um perigo, pois estamos viajando em uma bomba ambulante disfarçado de caminhão da cara amarela. Aqui vão ficar dois e os outros seis?

—Os outros seis vão para Recife.

O motorista acendeu um cigarro e continuou.

Postagem de apresentação

novembro 16th, 2009 by betoroberto

Boa vida para todos.

Estarei  redigindo apartir de hoje tudo o que tenho escrito.

serão contos curtos de poucas linhas ou paginas até romances de infinitas paginas, onde esses serão postados em partes de acordo com a disposisão de tempo. sou Brasileiro de idade média e gosto de me comunicar escrevendo, pois escrevo melhor que falo, por inumeras formas de nos expresarmos, a escrita oculta esse lado, permitindo que cada leitor interprete a postura do personagem a seu modo de ver trazendo-o para seu mundo. de inicio quiz registrar o blog sendo titulado como – ILUSÃO É COMO O OUTRO VÊ A REALIDADE DO PROXIMO-  quero dizer com isso que, o que para um é uma estoria para outro e realidade. Pois isso faz parte e nos acompanhará para o resto a vida.